sexta-feira, 15 de março de 2013

Aula de Citologia - Coloração Colpocitologia (Papanicolaou)

Nesta aula, começamos a conhecer técnicas de coleta, fixação e coloração do exame de Papanicolaou.

Aula prática ministrada pela PROF. MS. LUCIANA SOUZA CHAVASCO.


1 INTRODUÇÃO
O exame citológico é uma das grandes ferramentas para auxiliar o médico no diagnóstico, prognóstico e na tomada de decisões frente a casos clínicos. Assim, a citologia clínica oferece inúmeras vantagens, uma vez que as técnicas de obtenção do material são muito simples, de baixo custo e muitas vezes proporciona resposta diagnóstica rápida, porém como toda técnica, nem sempre o parecer é definitivo.
A grande maioria dos exames citológicos deve ser confirmada por exame histopatológico, devido à possibilidade do material colhido ser pouco representativo e também há restrições quanto à avaliação prognóstica, pois tal exame avalia somente as características de células isoladas ou em blocos, ao passo que o exame histopatológico permite avaliar a arquitetura do tecido como um todo, ou seja, a interrelação entre células, demonstrando grau de invasividade e avaliação de margens cirúrgicas, para exemplificar: obtenção de amostra somente do componente inflamatório de uma neoplasia infectada por bactérias.
Uma terapêutica adequada é realizada após a interpretação correta dos exames laboratoriais (colpocitológico e histológico). Para isso, nunca deve-se definir diagnóstico com apenas um método, sendo necessários a realização de três métodos complementares (colposcopia, citologia e histologia). A colposcopia, por exemplo, tem como finalidade direcionar o local mais apropriado para a realização de biópsia e não definir o diagnóstico.
Em uma lâmina histológica o processo de coloração facilita o reconhecimento dos compostos celulares. Como regra os núcleos captam os elementos basófilos dos corantes assumindo uma cor azul ou tom azulado. O citoplasma pode assumir uma cor rosa (eosinofílico) ou azul (cianofílico). Um dos métodos mais utilizados na citologia ginecológica é coloração de Papanicolaou.
O diagnóstico citológico cervico-vaginal é feito através do Bethesda System, que é uma classificação “descritiva” da citologia cervico-vaginal que se propõe a fornecer interpretações de uma amostra citológica em termos diagnósticos não ambíguos. A inovação consiste em considerar como lesões intra epiteliais de baixo grau tanto as alterações celulares devidas ao papilovírus como a displasia leve (NIC I), e em unificar sobre o termo de lesões intra epiteliais de alto grau a displasia moderada (NIC I), a displasia acentuada (NIC I) e o carcinoma in situ (NIC I).
A interpretação é realizada de acordo com a adequação das lâminas, as quais devem apresentar satisfatória ou insatisfatória. Para que seja satisfatória, a amostra deve apresentar identificação apropriada na lâmina, informações clínicas relevantes, número adequado das células epiteliais escamosas bem preservadas e bem visualizadas; um adequado componente endocervical zona de transformação. E quando a amostra apresentar ausência de identificação da paciente e/ou forma de requisição, lâmina quebrada e que não pode ser reparada, componente epitelial insuficiente, presença de sangue, inflamação, fixação deficiente, contaminação e outros componentes que prejudiquem a interpretação de aproximadamente 75% ou mais das células epiteliais, esta será designada como insatisfatória, o que indica que a amostra não é confiável na detecção de anormalidades epiteliais cervicais.

2 OBJETIVOS
Identificar alterações colpocitopatológicas e anatomopatológicas da citologia clínica;
Interpretar um laudo colpocitopatológico e Anatomopatológico; Conhecer técnicas de coleta, fixação e coloração.
3 DESENVOLVIMENTO


3.1 - Corantes utilizados e sua composição química:


Hematoxilina de Harris: Corante básico que reage com os ácidos nucléicos, conferindo ao núcleo uma coloração azulada.



EA 36: Idealizado por Papanicolaou.Verde luz amarelado, corante ácido, com dois radicais sulfônicos, que se fixa, preferencialmente, aos  componentes básicos do citoplasma é o corante básico do EA -36.


Orange G: Corante ácido, com dois grupos sulfônicos, muito utilizado em histologia e citologia, que apresenta afinidade por componentes básicos do citoplasma.


Água destilada: Hidratar, lavar a lamina e preparar para receber o corante aquoso.


Álcool etílico (70%,95% e absoluto): Lavar e preparar para receber o corante alcoólicos.


Xilol: Ele é indispensável para realização dos exames. A função deste solvente é tornar os tecidos translúcidos, participando da etapa de seu clareamento. 


Bálsamo sintético ou Entellan:


3.2 - Etapas da coloração:


Tirar da embalagem, verificar a identificação com o pedido, Deixar 15 minutos no álcool; Deixar na água corrente 10 segundos; água destilada 10 vezes; Deixar 5 minutos na solução de hematoxilina; Lavar em água (torneira) até a água ficar clara; Água destilada 10vezes e escorrer bem; Lavar 10 vezes no álcool; Deixar 4 minutos na solução de Orange; Mergulhar a cestinha 10 vezes em cada pote de álcool; Deixar 3 minutos na solução de EA36; Mergulhar a cestinha 10 vezes em cada pote de álcool; Mergulhar 10 vezes no Álcool-Xilol; Deixar no Xilol de montagem - Over Night; Montar com entelan e lamínula (25x50).



3.3 - Cuidados na Coloração

_ Retirar o excesso de reagente
_ Estocar os corantes em frasco âmbar
_ Filtrar a Hematoxilina diariamente
_ Substituir as soluções e repor corantes
_ Trocar o Orange quando perder o contraste
_ Trocar H2O e o HCl diariamente
_ Trocar álcoois absolutos (coloridos)
_ Trocar o xilol quando leitoso (hidratado)




4  CONCLUSÃO


O controle de qualidade em citologia depende da formação e da experiência do profissional que estuda o material citológico. Com o uso, os corantes vão perdendo sua capacidade tintorial, sendo necessário um ajuste periódico nos tempos de coloração, o que é feito facilmente por alguém experimentado na arte da interpretação citológica. 

A limpeza e a secagem adequada do material a ser utilizado são de fundamental importância para a estabilidade dos reagentes e obtenção de resultados corretos.

A solução de Hematoxilina é aquosa. Os demais corantes são soluções alcoólicas, deve-se tomar os cuidados equivalentes aos do manuseio de álcool em Laboratório.


Referência Bibliográfica


ASSIS, A.P., AMARAL, M.F.,SAMPAIO, M.C., CAIXETA, R.C., SANTOS, S.H. Revista
Eletrônica de Farmácia, v.4. n.2, p.11-14, 2007.

 BRENNA, S. M., HARDY, E., ZEFERINO, L.C., NAMURA, I. Conhecimento, atitude e
prática do exame de Papanicolaou em mulheres com câncer de colo uterino. Caderno de
Saúde Pública, v.17, n.4, p.909-917, 2001.

 INCA – Instituto Nacional do Câncer. Rio de Janeiro. 2008. Disponível em:
<http://www.inca.gov.br/estimativa/2008> . Acesso em 19 de fevereiro de 2008.



Créditos e Agradecimentos:  PROF. MS. LUCIANA SOUZA CHAVASCO.


Mais informações sobre a Prof. Ms. Luciana acesse: 

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4258885Z4




Na aula fizemos uma raspagem do epitélio bucal, pois este é parecido com o epitélio vaginal e coramos com a mesma técnica - Créditos da Imagem: Rodrigo Oliveira






















Aula de Farmacotécnica - Manipulação

Nesta aula, começamos a interagir com os PA, excipientes, encapsulamento e vimos os diversos tamanhos de cápsulas.


Esta é parte da aula ministrada, antes de irmos para a aula prática, pela   PROF. Ms. LUCIMARA DE SOUZA.





PROCESSOS DE MANIPULAÇÃO DE SÓLIDOS



n  Os processos de manipulação devem ser efetuados por técnicos especializados e pelo farmacêutico responsável.

n  O farmacêutico deverá analisar criticamente a receita a ser aviada, para isso é essencial seguir alguns critérios técnicos.

1. PESAGEM

n  Materiais utilizados:
n  Balança semi-analítica (calibrar)
n  Espátulas (aço inox ou plástico)
n  Papel manteiga
n  Saco plástico o homogeneizador
n  Calculadora


2. ORDEM DE MANIPULAÇÃO

n  Ordem de Manipulação é um registro de todas as formulações que foram aviadas e serão manipuladas.
n  Nela deve conter: 
- os dados do paciente,
   - a formulação com suas dosagens,
   - a quantidade a ser pesada de matéria-prima,
   - a quantidade de cápsulas a ser manipuladas,
   - orientação quanto ao tamanho e cor das   cápsulas a serem utilizadas.
  - visto do manipulador, encapsulador e do farmacêutico.



 Exemplo de Ordem de Manipulação:

Paciente: xxxxxxx
Endereço: xxxxxx                 tel:xxxxx
Médico: xxxxxxx

Formulação:                          PESAR
ATENOLOL 50mg.................1500mg ou seja 1,5g
CLORTALIDONA 25mg.......... 750mg ou seja 0,75g
                                                        Manipular: 30 cápsulas
Tamanho da cápsula:
Cor da cápsula:
Excipiente utilizado:                 quant:
Posologia: Tomar uma capsula pela manhã.
Pesagem:............   Encapsulação.............  Resp. técnico:..........


3. HOMOGENEIZAÇÃO

n  Processo em que os sais são misturados em gral de porcelana  para uma homogeneização completa.
n  O processo de homogeneização se deve a mistura dos componentes da fórmula de forma uniforme.
n  Este processo pode ser realizado através de um saco plástico ou homogeneizadores.
n  O homogeneizador deve estar ciente das Boas Práticas de Manipulação, estando devidamente paramentado

4. TAMIZAÇÃO

n  Processo pelo qual as matéria-primas pesadas serão passadas em uma peneira (tamis) para a diminuição das partículas.
Nota: os sais em microgrânulos ou pellets (omeprazol, lanzoprazol, itraconazol e outros) não passarão pelo processo normal de homogeneização e tamização.


5. TAMANHO DA CÁPSULA

Capacidades médias das cápsulas gelatinosas duras:

    Tamanho da cápsula         Volume em ml                Capacidade em mg
            000                              1,37                     822 – 1644 mg  (750mg)
             00                                0,95                    570 – 1140 mg  (500mg)
               0                                0,68                    408 – 816 mg    (400mg)
               1                                0,5                      300 – 600 mg    (350mg)
               2                                0,37                    222 – 444 mg    (250mg)
               3                                0,30                    180 – 360 mg    (200mg)
               4                                0,21                    126 – 252 mg    (150mg)


6. MÉTODO VOLUMÉTRICO

n  O peso da matéria prima varia pela sua densidade;
n  Este método é muito mais preciso;
n  Não ocorre o inconveniente de ter de desmanchar todas as cápsulas para refazer;
n  Aplica-se este método quando o peso ultrapassa  a capacidade  do maior tamanho de cápsula ou quando as cápsulas não estão completas.

n  Pesar todos os componentes da fórmula;
n  Colocar em uma proveta graduada;
n  Medir o volume da proveta;
n  Bater com cuidado a proveta na bancada para assentar o pó;
n  Fazer a leitura do volume;
n  Ex: 28ml    p/ 30 cápsulas
n  Dividir 28/30  = 0.93ml
n  Olhar na tabela e comparar os valores;
n  Caberá na cápsula 00, e o restante completa com excipiente;
n  Ex: 0.95ml x 30 = 28.5ml
n        0.93ml x 30 = 27.9ml
n      28.5ml – 27.9ml = 0.6ml de excipiente
para completar a cáp 00.
n   Tarar a balança com a proveta e completar com excipiente. 


Referência: Material disponibilizado pela professora PROF. Ms. LUCIMARA DE SOUZA.














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